Medite
Como se sentar para meditar pode mudar sua vida inteira
Eu comecei a meditar tem pouco mais de um ano. Como estou no meio da yoga desde os catorze anos, sempre ouvia as pessoas falando sobre meditação e como havia melhorado a vida delas, as ajudado a lidar com a ansiedade da vida e do dia a dia e como suas vidas haviam sido transformadas por uma técnica simples, barata e acessível. Mesmo assim, nunca me afeiçoei à ideia de ficar parado sentado por um longo período de tempo, sempre me pareceu uma grande perda de tempo em que eu poderia estar sendo produtivo.
Pois bem, a meditação vem justamente por isso, porque nossas mentes não foram feitas para estar produzindo o tempo todo, para estar sob constante pressão e sob constantes estímulos de todos os lados, através de todos os órgãos dos sentidos: saímos de casa e somos bombardeados com outdoors gigantescos, e hoje eletrônicos, procurando nossa atenção a todo custo; nas ruas em grandes metrópoles vemos centenas de pessoas diariamente indo a seus trabalhos, escolas, compromissos e vidas diárias, quando nosso cérebro não foi feito para absorver essa quantidade de estímulos visuais.
Nos desenvolvemos em tribos de, quando muito, 100 pessoas. Quando eu morava em São Paulo, todos os dias eu devia ver pelo menos 50 pessoas apenas até chegar no metrô, e lá, mais algumas centenas até chegar ao trabalho, no trabalho mais algumas centenas, e na volta algumas mais. Isso sem mencionar as horas de estímulo visual que passamos em aplicativos como o Instagram, TikTok e outros. Eu mesmo já tive médias diárias de 8 horas por dia olhando o celular. Sabe o que são 8 horas diárias? É um turno completo de trabalho CLT, ou 56 horas por semana, ou ainda 224h mensais, ou melhor, 81.760 horas anuais. E se você fica “apenas” quatro horas ao dia, a coisa não é muito melhor, ainda são mais de 40 mil horas anuais.
E ainda reclamamos de falta de tempo… O que você faria com 40 mil horas na sua vida? Qual o impacto disso na nossa mente? No nosso cérebro? No nosso intelecto? Bom, já sabemos: nunca tivemos um índice de analfabetismo funcional tão grande no país.
Isso apenas com a visão. Se formos contar a audição? Não fomos criados para ficarmos ouvindo barulhos de motores de carros, motos e ônibus, e sim para ouvir o canto dos pássaros ao longe, o farfalhar das folhas das árvores ao vento. Ou ficarmos escutando músicas ao longo do dia todo, tanto que ficamos com os ouvidos doendo de segurarem os fones. Eu mesmo passava o dia inteiro com fones de ouvido pendurados para conseguir lidar com a poluição auditiva. As cidades estão cada vez mais olfativamente poluídas também, e é impossível nos acostumarmos com as variedades de odores ao longo do dia. De fortes perfumes a odores corporais, de cremes e loções a gases poluentes dos veículos, de urinas na sarjeta a dejetos de cachorros.
Onde a meditação entra nisso tudo? Ela é um convite para sentarmos, desacelerarmos e nos percebermos, nos reconectarmos conosco e com o que nos cerca. É um convite para a limpeza e purificação dos sentidos através da respiração. Se sua mente está cansada ela não precisa de mais um episódio daquela série boba que você coloca para não pensar, ou do scroll infinito do Instagram, ela precisa de descanso, e esse descanso é a meditação. E ela é mais simples do que se parece.
Basta se sentar em um local tranquilo, com a coluna ereta, na cadeira ou no chão, onde você possa não ser incomodado, fechar os olhos e observar sua respiração. Como está sua respiração? Afobada? Consegue respirar fundo pelo nariz algumas vezes? Muitas pessoas pensam que meditar é não pensar em nada, mas, pelo contrário, é pensar e deixar tal pensamento ir. Não se identificar com eles. Deixá-los virem e deixá-los irem. Assim estamos treinando nossa mente para encarar momentos mais desafiadores.
Queremos uma vida com mais paz, mas como, se sequer praticamos essa paz? Tudo nessa vida requer prática constante para alcançarmos a perfeição. Sem a prática constante de meditação, pelo menos uma vez ao dia, todos os dias, regularmente, pelo tempo que pudermos, não alcançaremos nem a paz, nem a realização, nem o fim da ansiedade, depressão e muitos outros males comuns que nos assolam hoje. Comuns, eu disse, mas não normais. Não deveríamos nos contentar com migalhas de felicidade e realização se podemos viver uma vida tranquila e em paz.


